Enquanto os principais problemas da região seguem sem solução, o Governo do Estado de São Paulo parece ter encontrado uma fórmula própria de gestão: fazer pouco, mas transformar cada gesto em espetáculo.
Em Itaquaquecetuba, cidade com déficit habitacional para 35 mil famílias, o assessor da Diretoria de Engenharia e Obras da CDHU, Eric Romero, que representou o programa Casa Paulista, celebrou o modesto subsídio de R$ 13 mil para apenas 113 unidades habitacionais, na última terça-feira (28), durante a entrega de um novo empreendimento na Vila Maria Augusta.
Segundo ele, o investimento, que totaliza cerca de R$ 1,5 milhão, é “muito importante” e demonstra uma política que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “tem incentivado bastante”. A fala, no entanto, contrasta com a realidade do município, onde o número de famílias sem moradia adequada é centenas de vezes maior do que o de unidades contempladas.
Além disso, Romero afirmou que o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, também tem priorizado muito a pauta da habitação. Mais uma vez, a declaração é oposta à realidade, pois até hoje o Estado não avançou com o projeto Nova Fazenda Albor, que poderia significar, em um único projeto, cerca de 13 mil novas unidades habitacionais para a cidade, segundo a própria CDHU.
Anunciado em gestões anteriores, o empreendimento continua apenas no papel, enquanto milhares de famílias seguem vivendo em áreas de risco, ocupações precárias ou pagando aluguéis que comprometem quase toda a renda.
Ainda assim, ao ser questionado, Romero apresentou números embalados em grandes discursos. Segundo ele, de 2023 até agora, Itaquá recebeu aproximadamente R$ 264 milhões em investimentos habitacionais. Para todo o Alto Tietê, o valor chegaria a R$ 1,1 bilhão, por meio de programas estaduais. Na prática, porém, os números revelam mais um padrão da gestão estadual: aportes milionários que pouco transformam a realidade e não resolvem os problemas do estado.
Em mais uma promessa ao Alto Tietê, Romero afirmou que há uma “expectativa muito boa para os próximos anos, com certeza atendendo mais ainda Itaquá e também os municípios em torno dessa região tão importante do nosso Estado”. Agora, a gestão Tarcísio tem um ano para mostrar se, desta vez, o discurso vai além do palanque.


