Empresa e Justiça podem deixar 250 famílias sem ter onde morar e para onde ir em Itaquá

Ficar sem casa assusta mais do que o coronavírus e o temor de quem mora na Matinha, no bairro Pequeno Coração, em Itaquaquecetuba, vai além do medo da Covid-19, que até a última quinta-feira (25) já tinha matado 502 pessoas na cidade, conforme números da prefeitura.

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Mulheres, crianças e idosos estão prestes a serem ‘jogados na rua’ devido a ordem judicial

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib

Ficar sem casa assusta mais do que o coronavírus e o temor de quem mora na Matinha, no bairro Pequeno Coração, em Itaquaquecetuba, vai além do medo da Covid-19, que até a última quinta-feira (25) já tinha matado 502 pessoas na cidade, conforme números da prefeitura.

Em meio à pandemia, cerca de 250 famílias da localidade estão ameaçadas de despejo por conta de uma reintegração de posse pedida pela CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), e aceita pela Justiça, cujo prazo dado de 15 dias para que os moradores saiam do local finaliza na próxima semana. Todos eles não têm para onde ir.

A área do impasse é de 34.600 metros quadrados e o embate entre os moradores e a empresa fica por conta da CTEEP alegar ser a proprietária de todo o imóvel, o que é contestado pelo autônomo Aguinaldo Gonzaga dos Santos, 54 anos.

Ele diz que o terreno da Matinha pertencia à Eucervi Construções Ltda., uma empresa de usina de asfalto e de rede esgoto. “Trabalhei nela. Faliu, não pagou ninguém e nos deixou aqui”, afirmou, acrescentando que mora no local há 23 anos.

O autônomo diz que tem o número da matrícula provando que a área da Matinha faz parte da Massa Falida da empresa em que trabalhou.

“A CTEEP ficou de fazer um novo levantamento para ver que parte do terreno pertence a ela, se for tirando todos sem fazer isso vai ter problemas.”

Enquanto a ‘elétrica’ não sabe o que se deu de fato, quem mora no local se desespera com a incerteza. No sexto mês de gravidez, a gestante Jayane Vieira de Souza, 23, sofre com os momentos de tensão.

“Fico preocupada quando chega alguém estranho por aqui. Penso que é o pessoal que vai mandar a gente embora”, falou. “Isso prejudica minha gestação”, diz, completando que o “bebê nasce em julho e vai se chamar Junior.”

Outro morador, Pedro Bezerra Penedo, 52, que vive no local há cinco anos e sustenta a esposa e os quatro filhos com o que ganha “fazendo bicos”, diz que se sente mal com a situação.

“A gente fica com as mãos atadas. Cada carro que chega penso que são ‘eles’ e que vamos ter de arrumar as nossas ‘coisinhas’ pra ir embora. Mas não temos para onde ir”, lamenta.

O que diz a prefeitura

O jornal contatou a Prefeitura de Itaquaquecetuba para sua posição sobre o caso. A https://portalgazetaregional.com.br/wp-content/uploads/2023/06/ed440.pngistração municipal respondeu: “Até o momento, a Secretaria de Habitação não recebeu qualquer solicitação referente a reintegração de posse no bairro Pequeno Coração. É importante ressaltar que a Prefeitura de Itaquaquecetuba preza por seus munícipes e toda as ações são acompanhadas pelas Secretarias competentes, dando suporte necessário para o bom andamento das ações”.

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