Em outubro de 2022, a GAZETA noticiou o falecimento de um menino de seis anos de idade no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, pelo qual a família apontava uma série de episódios de negligência como causa. Neste início de maio o caso se repetiu, desta vez com uma menina de apenas três meses de idade.
A história sofrimento de Luna Vitória Silva de Lima e de sua família começou já em seu nascimento, quando, sentindo contrações, a mãe, Laísa Thais Gomes, 28, deixou de ser atendida por uma médica que alegava já ter feito cinco partos no dia e não queria fazer outro. A parturiente retornou ao hospital no dia seguinte, 19 de janeiro, quando foi constatado o processo de sofrimento fetal por conta do tempo que passou.
O atraso para realizar o parto causou uma anóxia em Luna, ou seja, falta de oxigenação no cérebro, o que fez com que ela tivesse de passar seus primeiros (e, infelizmente, únicos) meses de vida entubada na UTI neonatal. Três meses depois, o quadro de Luna evoluiu rapidamente, mesmo que ainda exigindo cuidados, principalmente na hora da amamentação, por conta do risco de engasgar.
O que Laísa relata, no entanto, é um verdadeiro cenário de caos na unidade. Ela conta que já até ouviu uma técnica de enfermagem, chamada Renata, fazer piadas com as condições dos bebês. “Já falei para ela [outra criança] parar de brincar de morta. Qualquer dia não vai ter ninguém aqui, aí eu quero ver”, teria dito a funcionária.
E foi exatamente o que aconteceu com Luna, na madrugada de 2 de maio, dia em que provavelmente receberia alta, mas que não foi alimentada devidamente e acabou engasgando com o leite.
Tomada por indignação e sofrimento, Laísa diz que não quer nem lembrar do Dia das Mães: “por mais que eu tenha meus dois filhos [um menino de 9 e uma menina de 2], a Luna deixou um vazio muito grande. Foram três meses de luta e uma evolução fantástica, eu achava que ela estaria em casa no dia das mães, mas agora será uma data que eu nem quero lembrar.”
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde lamentou o ocorrido, negou acusações da mãe, mas informou que o hospital “abrirá uma sindicância interna para averiguação das denúncias” e que, caso sejam comprovadas, “os envolvidos serão responsabilizados com todas as medidas cabíveis.”



