quarta-feira, 4 mar, 2026

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Crescente comunidade boliviana de Itaquá luta para manter sua cultura

Líderes bolivianos falaram sobre questões que cercam a migração para o Brasil e a vida em solo itaquaquecetubense
Guilherme Alferes

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A cidade de Itaquaquecetuba, assim como todo o estado de São Paulo, foi – e ainda está sendo – construída por uma rica mistura de pessoas e culturas do mundo todo, que, pelos altos preços de imóveis na capital, encontram em cidades vizinhas as únicas possibilidades de não só sobreviverem, mas viverem. Este movimento se torna ainda mais intenso quando o migrante em questão vem de outros países, fazendo com que a empatia e a organização entre si se tornem fundamentais.

Exemplo disso é a já gigantesca comunidade boliviana instalada no município, estimada em cerca de 8 mil famílias, que se espalhou por todos os cantos da cidade. Diante do contexto, a GAZETA conversou com três líderes bolivianos, que atuam cada um eu seu respectivo bairro, para acolher aos recém chegados e manter acesa a chama de sua terra natal.

O presidente da Associação Jardim Cristiano ll, Raul Gonzalo Paye Mendoza, ressaltou que cada imigrante tem sua história e seus motivos para a diáspora, mas destacou também que as dimensões continentais do Brasil chamam a atenção de moradores dos países vizinhos, principalmente para aqueles que almejam melhores condições de vida, como foi seu caso.

Esse também foi o caso de Walter Sinka Mamani, morador do Parque Viviane ll, que chegou a São Paulo há cerca de 20 anos e, a exemplo de sua própria história, colocou o idioma e a culinária como principais dificuldades na chegada ao país. Logo se acostumou, casou com uma mulher também boliviana, com quem teve quatro filhos brasileiros que visitam constantemente a terra natal dos pais, mas sempre com pressa para a data de volta, por saudade da comida brasileira, principalmente o feijão.

Walter conta que, no entanto, hoje em dia vê mais facilidade de manter contato com sua cultura: “Há 10, 15, 20 anos atrás, meu Deus, como era difícil encontrar uma comida boliviana. Hoje não. Hoje a cultura chegou já ao Brasil, São Paulo, Itaquaquecetuba, em todo lugar você consegue encontrar a culinária boliviana.”

O ativista social e morador do Jardim Nicea, David Canaviri Salinas, por sua vez, disse que o motivo para sua vinda ao Brasil, há 23 anos, foi a questão social e política. De acordo com ele, um dos grandes pontos fortes brasileiros é justamente a democracia, a possibilidade de se organizar e reivindicar as demandas perante o poder público.

Questionados sobre suas reivindicações, os três responderam da mesma forma. Além de questões gerais, como saúde e segurança, pedem espaço para que sejam vistos, para mostrar sua cultura a todos, demonstrar o orgulho de suas heranças e, com isso, retribuir o acolhimento que a cidade deu e dá a seu povo.


Essa reportagem faz parte da série da homenagem da GAZETA aos 463 anos de Itaquaquecetuba. Confira todas as reportagem da série ‘Faces de Itaquá’:

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