Um vídeo gravado dentro de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Itaquaquecetuba viralizou nas redes sociais nesta semana. Nas imagens, um munícipe discute com uma funcionária durante o que chamou de “fiscalização” própria. O episódio reacendeu o debate sobre as dificuldades da rede municipal de saúde em um município que já ultrapassa 300 mil habitantes e convive há décadas com problemas estruturais.
Membro do Conselho Municipal de Saúde há quase 20 anos, o advogado Aparecido Ribeiro, o Aparecido Magrão, afirma que a situação está longe de acompanhar o crescimento populacional. “A população mais que triplicou nesse período, mas a rede não acompanhou em nada. É deficitário de forma geral. Estamos muito aquém daquilo que a população de Itaquá merece”, disse à GAZETA.
Na última reunião do Conselho, realizada na quinta-feira (28), Magrão apresentou relatórios apontando falta de medicamentos, insatisfação de servidores, precariedade estrutural e abandono de manutenção. “Os problemas são singelos, fáceis de resolver, mas falta vontade política. Só existe uma equipe de manutenção para todas as Secretarias. Só a Saúde já deveria ter a sua”, criticou.
A avaliação é reforçada por Tadeu Amaral, que atua no controle social da saúde desde os anos 1980 e foi um dos primeiros membros do Conselho. Ele participou do processo de consolidação do SUS e lembra que a fiscalização do setor sempre foi um desafio: “A comissão de visitas coordenada pelo Magrão levantou inúmeros problemas na qualidade do atendimento e dos locais de trabalho. Os relatórios dele são muito bem feitos e precisam ser levados a sério”, disse.
Amaral avalia que, apesar de persistirem tentativas de manipulação de segmentos dentro do Conselho, há hoje maior abertura por parte da Secretaria Municipal de Saúde. “O novo secretário tem nos atendido melhor, o que não vinha acontecendo antes. Há respeito maior com o Conselho, mas vamos ver até onde ele vai cumprir o que prometeu”, afirmou.
Representando os usuários no Conselho, Magrão reforça que sua função é cobrar melhorias. “Eu sou militante, mas acima de tudo represento a população. Minha obrigação é apontar os problemas e exigir solução”, destacou.
Para os conselheiros, quem duvida da gravidade da situação pode comprovar com uma simples visita às UBSs.
“As condições estão lá, visíveis para qualquer cidadão. Não é questão de política, é a realidade”, concluiu Magrão.



