A pressão de produtores rurais e o posicionamento contrário da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Salesópolis fizeram a vereadora Débora Rodrigues (PODE) retirar de pauta um projeto de lei que restringia fortemente o plantio de eucalipto no município. A proposta proibia o cultivo comercial da árvore na zona urbana e nas faixas marginais das estradas vicinais, estabelecendo ainda exigências ambientais para a recuperação das áreas após o corte. O texto, no entanto, foi mal recebido por representantes do setor produtivo e chegou a ser classificado como um risco à sobrevivência econômica de centenas de pequenos agricultores locais.
O projeto foi duramente criticado pela Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, presidida pelo vereador Michael Silva Santos (PL), o Tikinho, com apoio dos parlamentares Fabrício Paiva (PODE) e Paulo Cézar Monteiro (PSD), o Mineiro do Restaurante. O parecer técnico da Comissão acompanhou a avaliação negativa do contador legislativo da Casa, indicando inconsistências e falta de viabilidade econômica da proposta.
O recuo da vereadora aconteceu após uma reunião com a diretoria da Camat (Cooperativa Agrícola Mista do Alto Tietê), que representa mais de 200 cooperados. O presidente da entidade, o engenheiro aposentado Antonio Camargo Neto, o Ticão, classificou o projeto como um “abalo” para a economia local e criticou a falta de diálogo com os produtores: “Estávamos em uma reunião com 500 pessoas [leia mais na página 5] e, no mesmo dia, fomos surpreendidos com esse projeto que nos atinge em cheio. Nenhum produtor foi ouvido”, afirmou Ticão.
Segundo ele, a proposta agravaria ainda mais a fragilidade econômica da cidade, que tem no eucalipto uma de suas poucas fontes de renda legalizadas. “Salesópolis não tem indústria. E o pouco que temos está sendo empurrado para a informalidade”, alertou.
A vereadora Débora Rodrigues esteve na sede da cooperativa antes da sessão de votação, reconheceu a repercussão negativa da proposta e decidiu retirar o projeto de pauta. Segundo Ticão, ela admitiu ter sido mal orientada.
A Camat tem apostado na diversificação da cadeia do eucalipto como forma de fortalecer os pequenos produtores e agregar valor à produção local. A cooperativa recebeu, recentemente, R$ 750 mil da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, com investimentos em equipamentos para industrialização da madeira: “Nosso foco é criar uma indústria verde em torno do eucalipto. Se não podemos ter indústria pesada, vamos fazer diferente, com sustentabilidade e geração de renda”, finalizou Ticão.



