A cobrança de pedágio na Rodovia Mogi-Dutra (SP-088) começou há três meses. Agora, após engolir o pagamento “goela abaixo”, a população aguarda as melhorias previstas no contrato de concessão. No entanto, os prazos estipulados pela CNL (Consórcio Novo Litoral) revelam uma realidade: para quem atravessa diariamente a Rodovia Mogi-Dutra (SP-088), a espera não será apenas longa, mas, sobretudo, perigosa.
Quem passa pela rodovia vê a cena se repetir todos os dias: pedestres atravessando a pista em meio a carros e caminhões. Idosos, moradores e trabalhadores aguardam uma brecha no trânsito e correm para chegar ao outro lado.
Sem passarela, o risco é diário. Ainda assim, a CNL anunciou nesta semana a construção de 25 passarelas apenas na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055). Já na Mogi-Dutra, quatro passarelas previstas para os quilômetros 37, 40, 42 e 45 têm cronograma apenas entre 2027 e 2029. Segundo a concessionária, isso se deve ao fato de a rodovia não possuir histórico de acidentes envolvendo pedestres (confira a nota abaixo).
O modelo de Parceria Público-Privada (PPI), defendido pelo próprio governo estadual, prevê a concessão da rodovia como contrapartida pelas obras que a empresa se compromete a executar. Na prática, porém, a lógica se inverteu. A estrada foi concedida, o pedágio começou a ser cobrado e as intervenções prometidas, que justificariam o contrato, até o momento, ficaram restritas ao papel.
A GAZETA esteve na rodovia e acompanhou de perto a situação. Além das travessias perigosas, outro problema se repete: a falta de pontos de ônibus com cobertura. Após atravessar a pista, pedestres ainda aguardam o transporte sob sol ou chuva.
Morador da região, Antônio Moraes atravessa o local há mais de dez anos:
“É ruim de atravessar. Já vi carro quase pegar alguém. A gente fica 20, 25 minutos esperando. Falar que é só em 2030? Vai demorar muito. Dava para ser mais rápido”.
Situação semelhante vive José Aparecido Cândido, que atravessa a rodovia há quase três décadas:
“É perigoso. A gente espera o trânsito diminuir e corre. Depois espera de novo. Não tem ponto de ônibus, não tem nada. Chove e a gente fica ali. Sol e a gente fica ali. Ninguém faz nada”.
Procurado, o Condemat+ (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região) afirmou que acompanha com atenção o processo de instalação de novas passarelas na Mogi-Dutra e irá oficiar formalmente o Estado solicitando esclarecimentos técnicos e a reavaliação do número e da localização das passarelas previstas.
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