sábado, 28 fev, 2026

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Com pedágio à todo vapor, Estado e CNL ignoram obras prometidas na Mogi-Dutra

Mesmo com pedágio em vigor, pedestres seguem expostos enquanto passarelas na Mogi-Dutra ficam para 2028 e 2030
Felipe Alves

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A cobrança de pedágio na Rodovia Mogi-Dutra (SP-088) começou há três meses. Agora, após engolir o pagamento “goela abaixo”, a população aguarda as melhorias previstas no contrato de concessão. No entanto, os prazos estipulados pela CNL (Consórcio Novo Litoral) revelam uma realidade: para quem atravessa diariamente a Rodovia Mogi-Dutra (SP-088), a espera não será apenas longa, mas, sobretudo, perigosa.

Quem passa pela rodovia vê a cena se repetir todos os dias: pedestres atravessando a pista em meio a carros e caminhões. Idosos, moradores e trabalhadores aguardam uma brecha no trânsito e correm para chegar ao outro lado.

Sem passarela, o risco é diário. Ainda assim, a CNL anunciou nesta semana a construção de 25 passarelas apenas na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055). Já na Mogi-Dutra, quatro passarelas previstas para os quilômetros 37, 40, 42 e 45 têm cronograma apenas entre 2027 e 2029. Segundo a concessionária, isso se deve ao fato de a rodovia não possuir histórico de acidentes envolvendo pedestres (confira a nota abaixo).

O modelo de Parceria Público-Privada (PPI), defendido pelo próprio governo estadual, prevê a concessão da rodovia como contrapartida pelas obras que a empresa se compromete a executar. Na prática, porém, a lógica se inverteu. A estrada foi concedida, o pedágio começou a ser cobrado e as intervenções prometidas, que justificariam o contrato, até o momento, ficaram restritas ao papel.

A GAZETA esteve na rodovia e acompanhou de perto a situação. Além das travessias perigosas, outro problema se repete: a falta de pontos de ônibus com cobertura. Após atravessar a pista, pedestres ainda aguardam o transporte sob sol ou chuva.

Morador da região, Antônio Moraes atravessa o local há mais de dez anos:

“É ruim de atravessar. Já vi carro quase pegar alguém. A gente fica 20, 25 minutos esperando. Falar que é só em 2030? Vai demorar muito. Dava para ser mais rápido”.

Situação semelhante vive José Aparecido Cândido, que atravessa a rodovia há quase três décadas:

“É perigoso. A gente espera o trânsito diminuir e corre. Depois espera de novo. Não tem ponto de ônibus, não tem nada. Chove e a gente fica ali. Sol e a gente fica ali. Ninguém faz nada”.

Procurado, o Condemat+ (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região) afirmou que acompanha com atenção o processo de instalação de novas passarelas na Mogi-Dutra e irá oficiar formalmente o Estado solicitando esclarecimentos técnicos e a reavaliação do número e da localização das passarelas previstas.

O que diz a CNL?

A Concessionária Novo Litoral esclarece que a implantação de passarelas segue critérios técnicos, operacionais e contratuais previamente definidos no contrato de concessão. Esse contrato estabelece um cronograma de investimentos e um escopo de obras por rodovia.
A partir desse escopo, a Concessionária realiza estudos técnicos detalhados, considerando fatores como volume de
tráfego, fluxo de pedestres, histórico de acidentes, características geométricas da via e condições urbanas do entorno, para definir o melhor posicionamento e a prioridade das passarelas.
Na SP-088 – Rodovia Pedro Eroles (Mogi-Dutra) não foi observado pontos de atenção para sinistros envolvendo pedestres, já que nos últimos seis meses não foi registrado nenhum acidente envolvendo pedestre. Na rodovia estão previstas quatro passarelas novas, sendo uma no km 37,00, com implantação prevista para 2027, e outras três nos km 40,60, km 42,00 e km 45,80, com previsão para 2029.
A CNL realiza ações frequentemente para ampliar a segurança dos pedestres. Entre as ações implementadas estão o reforço da sinalização vertical e horizontal, a intensificação da comunicação educativa, melhorias na iluminação, implantação de dispositivos de alerta e apoio à travessia, além do monitoramento constante das áreas com maior fluxo de pedestres.
Em relação aos pontos de ônibus, o planejamento para a SP-088 prevê a implantação de oito novos abrigos e a adequação de cinco existentes, distribuídos da seguinte forma: entre os km 32,00 e 39,45, com cinco implantações e três adequações; entre os km 40,50 e 43,00, com duas adequações; e entre os km 43,00 e 49,50, com três implantações, conforme o cronograma de investimentos previsto no contrato de concessão.

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