De acordo com o 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou, em 2022, o maior número de estupros desde que o levantamento começou a ser feito. Ao todo formam 74.930 vítimas registradas, sendo 61,4% delas menores de 13 anos.
Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira (20) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Houve um aumento de 8,2% em comparação com 2021, quando foram registradas 68.885 ocorrências.
De acordo com a diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, o aumento nos registros está diretamente ligado à volta das aulas presenciais pós-pandemia, já que é nas escolas onde, historicamente, são descobertos grande parte dos casos envolvendo crianças. Na maioria deles, os agressores integram o círculo familiar das vítimas.
“Se você olhar os indicadores de violência contra crianças, todos crescem. Em 2020 e 2021, foram anos que tivemos muitas interrupções de dias do período letivo por conta das medidas de isolamento social e 2022 foi o momento da retomada da escola, que é o ambiente em que muitas vezes você identifica que a criança está sofrendo abuso”, explicou Bueno.
Analisando os estados onde os números mais aumentaram, nota-se uma prevalência da região Norte, tendo quatro estados no “top 5”: o Amazonas aumentou 37,3% dos registros, um salto de 603 ocorrências em 2021 para 836 em 2022; em seguida está Roraima, com aumento de 28,1%; Rio Grande do Norte, com 26,2%; Acre, com 24,4%; e Pará, com 23,5%.
Vale ressaltar que, pela própria natureza deste tipo de crime, há um grande problema de subnotificação. Segundo um estudo recente de Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), apenas 8,5% dos casos são denunciados, ou seja, estima-se um número de mais de 700 mil pessoas, entre mulheres e crianças, tendo seus corpos violados por ano no Brasil.



