sábado, 21 fev, 2026

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Cada R$ 1 de lucro com cigarro custa R$ 5 ao Brasil em doenças

Estudo 'A Conta que a Indústria Não Conta' foi divulgado nesta quarta (28) pelo Instituto Nacional de Câncer e pelo Ministério da Saúde
Da Redação

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Um novo estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em parceria com o Ministério da Saúde, escancara uma conta pesada que o Brasil paga por causa do cigarro. Para cada R$ 1 de lucro obtido pela indústria do tabaco, o país desembolsa R$ 5 com o tratamento de doenças relacionadas ao fumo.

O levantamento, intitulado “A Conta que a Indústria do Tabaco Não Conta”, foi divulgado nesta quarta-feira (28) e mostra que o lucro médio de R$ 156 mil com a venda de cigarros legais equivale a uma morte causada por doenças como infarto, AVC, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) ou câncer de pulmão — todas atribuídas ao tabagismo.

Ainda segundo o estudo, o custo médio direto com cada uma dessas mortes gira em torno de R$ 361 mil. Já o custo total — somando diretos e indiretos, como perda de produtividade e afastamentos — chega a R$ 796 mil. Ou seja: para cada R$ 1 que entra no bolso da indústria, o sistema de saúde e a economia perdem até R$ 5,10.

Prejuízo bilionário

Fora do estudo, outro dado do Inca reforça o impacto do tabagismo: o Brasil gasta R$ 153,5 bilhões por ano com os danos provocados pelo cigarro. Esse valor, que representa 1,55% do PIB nacional, engloba tanto os custos com tratamento médico quanto perdas econômicas por morte prematura, incapacitações e cuidados informais.

Enquanto isso, a arrecadação de impostos federais do setor em 2022 foi de R$ 8 bilhões — o que cobre só 5,2% dos custos totais gerados pelo cigarro no país. Desses R$ 153,5 bilhões em prejuízo, R$ 67,2 bilhões foram gastos diretamente em tratamentos e R$ 86,3 bilhões em impactos indiretos.

477 mortes por dia

Os números são alarmantes: o cigarro mata 477 brasileiros por dia, totalizando 174 mil mortes por ano, segundo o Inca. As principais causas são doenças respiratórias, cardíacas, diversos tipos de câncer, diabetes tipo 2 e até o fumo passivo, responsável por cerca de 20 mil mortes anuais.

E os eletrônicos?

Mesmo proibidos no Brasil desde 2009, os cigarros eletrônicos (vapes) continuam se espalhando, especialmente entre jovens. De acordo com a pesquisa Vigitel 2023, 2,1% da população adulta usou esses dispositivos no último ano — e entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa salta para 6,1%.

Tem saída — e é gratuita

Apesar dos dados preocupantes, o Brasil oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar. O SUS disponibiliza apoio nas unidades básicas de saúde (UBS), com acompanhamento profissional, orientação individual e em grupo, além de medicamentos.

Entre os recursos oferecidos estão adesivos e gomas de nicotina, além do bupropiona, medicamento que ajuda a reduzir a dependência. Para começar o tratamento, basta procurar a UBS mais próxima ou entrar em contato com a secretaria de saúde do seu município.

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