O início do ano costuma ser marcado por academias cheias. Impulsionadas pelo sentimento de recomeço e pelas tradicionais metas de mudança de hábitos, as matrículas e reativações de planos aumentam significativamente nesse período, especialmente após as festas de fim de ano.
No Alto Tietê, esse movimento ocorre em um mercado cada vez mais competitivo. A região conta atualmente com mais de 200 academias em funcionamento, sendo 93 em Suzano, 49 em Arujá, 24 em Guararema, 18 em Santa Isabel e 13 em Ferraz de Vasconcelos, além de outras cidades onde não foi possível obter dados. A ampla oferta intensifica a disputa por alunos.
O gerente de uma grande academia de rede da região, Pedro Moraes, afirma que janeiro apresentou resultados expressivos. Segundo ele, a unidade registrou o dobro de matrículas em comparação com os demais meses do ano, além de crescimento significativo na adesão a planos corporativos.
A reportagem também ouviu os CEOs de outra academia da região, Tiago Sousa e Emerson Araújo. De acordo com eles, o mês registrou redução de 57% na inadimplência e aumento de 16% na entrada de alunos por meio de planos agregadores.
Apesar do aumento nas matrículas, o principal desafio das academias passa a ser a retenção dos alunos ao longo dos primeiros meses. A evasão, segundo gestores do setor, segue um padrão recorrente, com crescimento nos períodos mais frios e no início do ano letivo, alcançando cerca de 13%. Atualmente, a taxa de evasão varia entre 11% e 15% nos primeiros meses após a matrícula.
Segundo o educador físico João Gabriel Cardoso, a desistência precoce está diretamente relacionada à falta de planejamento. Para reduzir esse índice, ele destaca a importância de alinhar expectativas, objetivos e acompanhamento profissional desde o início da prática esportiva.
Além da estética, João ressalta que a atividade física regular gera benefícios que vão além da perda de peso, com impacto positivo na saúde mental, redução do estresse e da ansiedade, além de ganhos de força, mobilidade e qualidade de vida.
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Uso de medicamentos
Paralelamente, cresce a procura por medicamentos voltados ao emagrecimento, como o Mounjaro, que se popularizou nos últimos meses. O educador avalia que esses recursos podem atuar como aliados, desde que utilizados com acompanhamento médico e integrados a um trabalho multidisciplinar, envolvendo também profissionais de educação física e nutrição.
O alerta aumenta diante da venda irregular desses produtos. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a comercialização das chamadas “canetas emagrecedoras do Paraguai”, vendidas sem registro no Brasil. João classifica a prática como irresponsável, destacando os riscos de falsificação e os possíveis danos à saúde.
Para o profissional, não existem atalhos seguros fora da medicina. O emagrecimento obtido exclusivamente por meio de medicamentos, sem mudança de hábitos, tende a não ser sustentável. Segundo ele, quando o treino é individualizado e compatível com a rotina do aluno, a atividade física deixa de ser um esforço pontual e passa a integrar o cotidiano.



