Após a divulgação de uma circular interna interpretada como uma possível reabertura do pronto-socorro do Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, o diretor clínico da unidade, Dr. Luiz Carlos Viana Barbosa, esclareceu, em uma entrevista exclusiva à GAZETA, que não houve qualquer mudança no fluxo de atendimento. O hospital continua sendo referenciado para casos de alta complexidade e não realiza atendimento de urgência e emergência para demanda espontânea.
Segundo ele, a confusão foi causada por uma interpretação equivocada de um documento técnico, direcionado apenas aos médicos do hospital: “O pronto-socorro não foi reaberto. O que saiu na mídia foi uma interpretação errônea da imprensa em relação a um documento interno destinado a coordenadores que são médicos. Esse documento não foi feito para a imprensa.”
A circular interna nº 010,25, na realidade, teve como objetivo orientar os médicos a garantir a avaliação de todos os pacientes em situação de urgência, abrindo ficha e evitando omissão de socorro. O que, segundo o diretor clínico do hospital, não caracteriza a reabertura do pronto-socorro.
“Esse tipo de conduta já existia. Sempre que um paciente grave chega aqui, seja trazido pelo Samu, bombeiros ou ambulâncias de outros municípios, ele é avaliado pelo médico, que tem que abrir a ficha. Isso já era feito e sempre vai ser feito. Isso não significa que estamos abertos à demanda livre. O atendimento continua sendo referenciado.”
Ele também destacou que o hospital atende diariamente entre oito e 10 pacientes que chegam por meios próprios, mas explica que esses casos são exceções, sempre existiram e não representam a reabertura.
Ou seja, ao contrário do que foi divulgado, o diretor esclarece que os pacientes que chegarem ao hospital e não se enquadrarem em urgência e emergência, não receberão atendimento: “Quem está em casa, com sintomas graves, deve procurar a unidade básica mais próxima ou acionar o Samu. O paciente não deve vir direto para cá. Se houver necessidade, ele será trazido de maneira adequada.”
Questionado se o Governo do Estado já entrou em contato com a direção do hospital para discutir uma possível reabertura, Dr. Luiz Carlos afirma que “não. Pelo contrário, ele [Estado] é contra a reabertura”.
A GAZETA questionou a SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo) sobre os motivos para essa decisão. Em nota, a Pasta informou que “o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo atua em conformidade com as diretrizes do SUS. Como um centro hospitalar especializado no atendimento a casos graves e complexos, especialmente nas áreas de oncologia e cardiologia, a instituição recebe, em seu pronto-socorro, pacientes encaminhados pelo SAMU e resgate, bem como aqueles transferidos de outros hospitais.
Essa modalidade de atendimento possibilita que o Hospital Luzia acolha com prioridade, os pacientes que necessitam de atenção especializada. Os pacientes com problemas de saúde de menor complexidade são atendidos em unidades de atenção primária, como as UPAs. Quando necessário, esses pacientes podem ser transferidos ao Hospital Luzia por meio da Cross (Central de Regulação da Oferta de Serviços de Saúde).
Além disso, a atual gestão criou o IGM SUS Paulista, programa que destina recursos financeiros do tesouro estadual para os municípios de São Paulo, com o objetivo de fortalecer e melhorar os serviços públicos de saúde na atenção básica e no combate às arboviroses. Para o município de Mogi das Cruzes, foram destinados R$ 8,6 mil referentes ao programa, entre os anos de 2024 e 2025”.
Confira a entrevista completa:
Reabertura do pronto-socorro do Hospital Luzia retorna ao centro do debate
A divulgação da informação e a reação do público reacenderam antigas discussões sobre a necessidade de reabertura do pronto-socorro no Hospital Luzia de Pinho Melo. Moradores de Mogi das Cruzes e região expressaram frustração nas redes sociais, defendendo que a cidade precisa de uma unidade de urgência e emergência funcionando em um hospital de referência.
O assunto ganhou força após o deputado estadual Marcos Damasio (PL) compartilhar, em suas redes sociais, a informação inverídica. A publicação foi apagada horas depois, quando a gestão do hospital desmentiu a notícia. Até então, a repercussão foi marcada pela alegria e esperança entre os mogianos.
A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes também se tornou palco para o debate. O presidente da Casa, vereador Francimário Vieira (PL), o Farofa, afirmou que a reabertura do pronto-socorro é uma luta da atual legislatura, inclusive com a realização de um abaixo-assinado. Na ocasião, foi solicitada uma reunião com a direção do hospital para esclarecer o caso, que estava “mal explicado”.
O vereador Mauro Araújo (MDB) também se pronunciou no plenário, cobrando explicações da direção da unidade e incentivando a mobilização popular em prol do assunto, aproveitando a discussão que a matéria publicada trouxe à tona. “É um pedido que a população de Mogi faz, e o nosso mais importante equipamento de saúde é o Luzia. Temos que aproveitar este momento para mostrar que a população quer o pronto-socorro funcionando.”
A Prefeitura de Mogi das Cruzes também afirmou, em nota, que a reabertura do pronto-socorro hospitalar é uma reivindicação da atual gestão, com o objetivo de melhorar o fluxo de atendimento aos casos mais graves e que exigem internação.
A administração municipal também destacou a promessa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se comprometeu com a construção de um pronto-socorro estadual próximo ao hospital, a fim de atender à demanda reprimida na cidade.
No Condemat+ (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região), o tema está sendo analisado pela Câmara Técnica de Saúde do consórcio.




