quinta-feira, 19 mar, 2026

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Anvisa discute regras para produção de cannabis medicinal no Brasil

Anvisa analisa novas regras para produção de cannabis medicinal no Brasil, após decisão do STJ que determinou regulamentação do cultivo
Da Redação

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A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reúne nesta quarta-feira (28), em Brasília, para discutir a definição de regras específicas para a produção de cannabis medicinal no Brasil.

O encontro está agendado para as 9h30, na sede da agência, e prevê o debate sobre a revisão da Resolução nº 327/2019, que atualmente regulamenta o acesso a produtos à base de cannabis no país.

A discussão atende a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida em novembro de 2024, que determinou a regulamentação do plantio da cannabis para fins exclusivamente medicinais e farmacológicos.

Propostas

No início da semana, a Anvisa apresentou três propostas de resolução que tratam da produção de cannabis medicinal, da realização de pesquisas científicas com a planta e da atuação de associações de pacientes.

Em entrevista coletiva, o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou o crescimento expressivo da demanda por produtos à base de cannabis ao longo da última década. Segundo ele, entre 2015 e 2025, foram concedidas mais de 660 mil autorizações individuais para importação desses produtos.

Safatle informou ainda que atualmente há 49 produtos à base de cannabis, de 24 empresas, aprovados pela Anvisa e disponíveis em farmácias no Brasil, além de cerca de 500 decisões judiciais autorizando o plantio por pessoas físicas ou jurídicas. O presidente da agência também ressaltou que cinco estados brasileiros possuem leis que autorizam o cultivo de cannabis medicinal.

As propostas apresentadas restringem a produção da cannabis a pessoas jurídicas e exigem inspeção sanitária prévia. Entre as medidas de segurança estão o monitoramento das áreas de cultivo por câmeras 24 horas e o georreferenciamento das plantações. A autorização ficará limitada a produtos com teor de tetrahidrocanabinol (THC) igual ou inferior a 0,3%.

As normas também abrem a possibilidade de produção sem fins lucrativos por associações de pacientes, por meio de chamamento público, com o objetivo de avaliar a viabilidade da produção em pequena escala fora do modelo industrial.

Durante a apresentação das propostas, o diretor da Anvisa, Thiago Campos, destacou o alinhamento técnico das resoluções com a decisão do STJ e com diretrizes internacionais. Segundo ele, as medidas atendem às exigências da Organização das Nações Unidas e da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes.

As propostas serão analisadas pelo colegiado da Anvisa. Caso aprovadas, as resoluções entram em vigor na data de publicação e terão validade inicial de seis meses.

Entenda

Em novembro de 2024, o STJ decidiu que a Lei de Drogas não se aplica a espécies de cannabis com baixa concentração de THC, substância responsável pelos efeitos entorpecentes da planta. Na ocasião, a Corte autorizou uma empresa a importar sementes com baixo teor de THC e alto teor de canabidiol, composto sem efeito psicoativo e com uso medicinal.

Para viabilizar a decisão, o tribunal determinou a regulamentação da importação de sementes, do cultivo, da industrialização e da comercialização de espécies de cannabis com concentração de THC inferior a 0,3%.

Prazo prorrogado

O prazo inicial de seis meses para a definição das regras venceu em setembro de 2025, mas foi prorrogado em novembro do mesmo ano, após solicitação da Advocacia-Geral da União (AGU). Após a prorrogação, a Anvisa informou ter iniciado as etapas necessárias para o cumprimento da decisão, incluindo consulta à sociedade civil e elaboração de documentos técnicos.

Números

De acordo com a Anvisa, mais de 670 mil pessoas utilizam atualmente produtos à base de cannabis no Brasil, com acesso predominantemente por meio de decisões judiciais. Desde 2022, o Ministério da Saúde atendeu cerca de 820 decisões relacionadas à oferta desses produtos.

Segundo a agência, mesmo sem regulamentação específica até o momento, diversas associações obtiveram autorização judicial para produzir cannabis exclusivamente para uso medicinal.

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*Por Agência Brasil

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