O Alto Tietê registrou, ao longo de 2025, 22 casos de feminicídio e tentativa de feminicídio, segundo os dados da Secretária de Segurança Pública de São Paulo (SSP). Do total, 20 ocorrências foram classificadas como tentativa de feminicídio e 2 como feminicídios consumados, ambos registrados em Suzano.
Suzano aparece no topo do ranking regional, sendo o único município a registrar feminicídios consumados no período analisado. Ao todo, a cidade somou cinco casos, sendo dois homicídios dolosos contra mulheres e três tentativas, o que acende um alerta sobre a gravidade da violência doméstica no município.
Na sequência, Mogi das Cruzes registrou cinco tentativas de feminicídio, sem casos consumados. Já Ferraz de Vasconcelos aparece com cinco ocorrências, todas classificadas como tentativa. Itaquaquecetuba contabilizou quatro tentativas, enquanto Arujá teve duas ocorrências do mesmo tipo.
Guararema aparece com um caso registrado, também como tentativa de feminicídio. Santa Isabel, Salesópolis, Poá e Biritiba-Mirim não registraram nenhum caso de feminicídio ou tentativa do mesmo crime.
“O silêncio só beneficia o agressor”, alerta advogada
Para a advogada Rosana Pierucetti, presidente da ONG Recomeçar, que atua há mais de uma década no acolhimento de mulheres em situação de risco, os números refletem uma realidade já conhecida por quem está na linha de frente do atendimento.
“A violência contra a mulher tá cada dia mais difícil. O investimento em política pública vem diminuindo, e a tendência é o aumento dessa violência, cada vez mais cruel”, afirma.
Segundo Rosana, a ONG atua com acolhimentos sigilosos em municípios do Alto Tietê, mas lamenta que apenas parte das cidades tenha aderido ao convênio oferecido pelo Condemat. “Esse acolhimento é essencial para mulheres ameaçadas de morte ou perseguidas. O ideal seria que todos os municípios tivessem esse serviço.”
A advogada destaca que, em Mogi das Cruzes, onde a Recomeçar atua desde 2012, nenhuma das vítimas de feminicídio passou pelo serviço, o que reforça a eficácia do acolhimento para quem consegue acessá-lo.
“Todos os casos que chegam até nós envolvem mulheres que nunca tinham procurado ajuda. Isso mostra que a política pública funciona, mas o acesso precisa ser facilitado.”
Rosana alerta ainda para os sinais de risco: controle de horários, mensagens, celular, destruição de objetos pessoais e a falta de vontade de voltar para casa. “Hoje, a mulher precisa se preocupar com a própria segurança, inclusive dentro de casa. Evitar confronto e procurar ajuda o quanto antes pode salvar vidas.”
A advogada deixa um recado direto às mulheres: “O silêncio só beneficia o agressor. A violência não se resolve sozinha. Denunciar é fundamental. As mulheres não estão sozinhas.”
Denuncie
A ONG Recomeçar oferece atendimento 24 horas pelo telefone (11) 9994-83695 e atua em parceria com órgãos públicos para garantir proteção, acolhimento e acesso aos direitos das vítimas e de seus filhos. Denuncie também através do telefone 180.




