quinta-feira, 5 mar, 2026

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Além de greve, trabalhadores da GM de Mogi podem fechar estradas contra demissões

Trabalhadores tentam o diálogo para reverter quadro, mas se vêem desrespeitados pela empresa, que demitiu via e-mail e telegramas
Guilherme Alferes

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Esta segunda-feira (23) amanheceu com a aprovação de uma greve de trabalhadores da General Motors, uma das maiores montadoras de veículos do país, em suas unidades de São José dos Campos, São Caetano e Mogi das Cruzes. Nesta última, a GAZETA pôde ouvir dos grevistas quais suas reivindicações e as perspectivas para que elas sejam ouvidas.

O grande estopim para a ebulição do movimento foi quando, na última semana, a empresa iniciou uma série de demissões nas três unidades, sendo elas via e-mail ou telegramas (foto abaixo). O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, David Martins, explicou como se deu o processo:

“No sábado eu recebi uma ligação da direção da empresa, da Diretora de Relações Sindicais, dizendo que a empresa ia começar um processo de demissão dos trabalhadores, então eu perguntei: ‘mas não vai ter um diálogo com a entidade sindical e com os trabalhadores?’, e ela falou que não, que já estavam começando as demissões por e-mail ou telegrama, ou seja, uma total falta de respeito com os trabalhadores e com a entidade sindical”, relatou.

De acordo com David, a GM está descumprindo uma série de acordos, como a inclusão de trabalhadores que estavam em layoff nas demissões, e omitindo os números concretos. “Não tiveram a hombridade de dizer o número de trabalhadores que estão sendo demitidos”, disparou.

Para Vagner Rocha, ferramenteiro há 16 anos na GM, a situação se resume a “uma falta de respeito” por parte da empresa: “Aqui é uma troca, a gente entra com o trabalho e a empresa entra com o serviço para a gente trabalhar. Cada um tem que levar seu pão de cada dia para casa, mas com respeito. Não é porque a gente é empregado que não tem que ter respeito, e isso faltou por parte da empresa.”

Vagner ainda completa dizendo que compreende que é direito da empresa de fazer a demissão, mas não da forma como têm sido feitas, repentinas e sem diálogo. Nos comunicados enviados aos trabalhadores, a GM justifica o ato como efeito da “queda nas vendas”.

Procurada pela GAZETA, a empresa disse que a medida foi tomada “após várias tentativas atendendo as necessidades de cada fábrica como, lay off, férias coletivas, days off e proposta de um programa de desligamento voluntário”, e que ela “é necessária é necessária e permitirá que a companhia mantenha a agilidade de suas operações, garantindo a sustentabilidade para o futuro”.

Para os representantes dos trabalhadores, a demanda crucial é que o quadro seja revertido e a paralisação segue por tempo indeterminado até que haja um diálogo com a General Motors. Caso ele não exista, eles não descartam a possibilidade de levar as reivindicações para além dos portões da fábrica.

“Nós estamos entrando em contato com o Ministério do Trabalho, com o Ministério Público do Trabalho, com o governo municipal, com o governo do Estado e também com o federal. Se a gente conseguir uma intervenção que resolva e reverta as demissões, logicamente não vamos fazer nada, mas se não resolver, não nos restará outra possibilidade a não ser talvez fechar rodovias. Atitudes agressivas nós jamais iremos ter, mas fechar rodovias, fazer passeatas e manifestos, com certeza, num segundo plano, podemos fazer sim”, conta David Martins.

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