sábado, 21 fev, 2026

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‘Agirei sempre como se a minha atitude fizesse diferença para a cidade de Poá’, diz Saulo Souza

Pré-candidato a prefeito de Poá mostra que é possível transformar a cidade com atitude, preparo e respeito pelas pessoas
Lailson Nascimento

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A expressão “política é para quem sabe fazer política” cabe perfeitamente para Saulo Souza (PP). Ex-vereador de Poá e suplente de deputado estadual com a maior votação já alcançada por um poaense na cidade (15594 votos), ele segue “firme na missão”, como costuma se referir à sua trajetória política. No aniversário de 74 anos de emancipação político-https://portalgazetaregional.com.br/wp-content/uploads/2023/06/ed440.pngistrativa de Poá, Saulo Souza traça um diagnóstico da cidade com a firmeza de quem milita no município desde 2007. Confira:

 

Gazeta Regional: Saulo, Poá está chegando aos 74 anos na mesma semana em que se comemora o Dia Mundial da Água (dia 22), e a cidade possuía o título de Estância Hidromineral justamente pela riqueza hídrica, mas perdeu esse título. O que isso simboliza?

Saulo Souza: Isso deixa uma pergunta inicial sobre o estado que a atual gestão deixou e as anteriores também deixaram: a que ponto Poá chegou? Nós chegamos a esse mês de aniversário com retrospecto de muita dor, de muita insatisfação, de muita tristeza, de muita indignação.

Em virtude das enormes perdas que a gente vem tendo ao longo das últimas gestões, nas várias áreas, e a perda desse reconhecimento que vigora desde 1970, que é esse título de cidade turística, só revela o quanto que as últimas gestões da nossa cidade, infelizmente, foram incapazes de dar as respostas que a população precisa.

Isso é visível quando você está trafegando com o seu veículo e cai num buraco, mesmo sabendo que nessa cidade que você vive, só de IPVA anualmente, que é o imposto para ser destinado para a manutenção viária do município, é da ordem de R$ 16 milhões por ano. Só o IPVA. A sua indignação aumenta quando você descobre que só de arrecadação, ainda mais agora com essa verdadeira indústria da multa que se estabeleceu em Poá, tanto a Zona Azul quanto os inúmeros radares que foram instalados no município, só de multa, a arrecadação anual é da ordem de R$ 10 milhões por ano. Foi para R$ 26 milhões a conta, apenas para ser utilizado no serviço de tapa-buraco, sinalização do solo, demarcação de faixas de pedestres, de lombadas, recapeamento de vias. R$ 26 milhões por ano. E você vê a cidade na parte viária totalmente abandonada.

Essa situação se agrava quando você vê, por exemplo, a zeladoria da cidade, mesmo com a arrecadação recorde da taxa do lixo, de mais de R$ 11 milhões por ano só para cuidar da limpeza e da zeladoria da cidade. Mesmo com dinheiro destinado para essa finalidade, você vê a cidade incapaz de dar respostas para o que se espera de uma Estância Turística, que deveria ser limpa, com a zeladoria em dia, uma cidade bem cuidada, uma cidade atraente.

E você vê que a situação está grave mesmo quando você descobre que nós pagamos a taxa de iluminação pública, que é para essa finalidade apenas, mais de R$ 5 milhões por ano. E no terceiro ano do mandato você vê problemas de iluminação na cidade.

Então, você vê uma série de evidências de que, ao longo dos últimos anos, Poá foi deixando, por causa da má política, de ser aquela cidade que dá as respostas que a população precisa, que respeita o dinheiro do contribuinte. Como é que nós vamos chegar nesse mês de aniversário? Não temos nada para comemorar. Muitas decisões que foram tomadas, muitas atitudes que foram empreendidas, muitas iniciativas na contramão daquilo que a população espera. O reflexo da perda do título de Estância se soma a vários outros retrocessos, a várias outras interrupções, a vários outros desmandos, a várias outras crueldades que foram cometidas contra a população. Então, esse é o diagnóstico inicial que eu faço sobre esse mês de março.

 

GR: A atual https://portalgazetaregional.com.br/wp-content/uploads/2023/06/ed440.pngistração vem afirmando que não há dinheiro suficiente, mas pelo que você está dizendo, a realidade é que o orçamento não está sendo utilizado como deveria …

Saulo: É isso que acontece, e por vários motivos. Primeiro, a própria falta de competência e capacidade para o cargo. Esse é um diagnóstico. Segundo, a falta de planejamento, ou seja, não sabem como utilizar os recursos. E o terceiro é o problema da corrupção e da falta de vontade política, porque o dinheiro está lá.

Quero, inclusive, aproveitar a oportunidade de complementar que o nosso vereador, o doutor Saul Souza (Avante), teve um papel brilhante na última sessão dessa semana. Ele foi para a tribuna e conseguiu interromper um empréstimo milionário, junto com a maioria dos vereadores que acompanharam na votação, um empréstimo milionário de R$ 30 milhões que a prefeitura estava tentando contratar. E para qual finalidade? Pra fazer recapeamento de vias. Nós estamos falando de três anos da atual gestão, com arrecadação de R$ 46 milhões só de IPVA, que deveria ser utilizado pra essa finalidade: recapeamento e tapa-buraco. Aí você tem as multas, R$ 27 milhões nos três anos. Ou seja, mais de R$ 70 milhões só para essa finalidade, não pode ser usado em outra finalidade. Aí a prefeita apresenta um projeto de empréstimo, para quebrar nossa cidade, de mais R$ 30 milhões para as próximas gerações pagarem esse montante. Mas o vereador doutor Saul Souza, liderando o processo, conseguiu barrar esse empréstimo milionário. Felizmente, um presente de aniversário para a nossa cidade de Poá.

 

GR: Portanto, o problema não é dinheiro?

Saulo: O problema não é dinheiro, até porque ninguém vê a cor do dinheiro. É obra para o Ministério Público, é obra para a Polícia Federal, é obra para os órgãos fiscalizadores, como Tribunal de Contas.

No fundo, o problema é que a gente não sabe qual que é o foco da gestão. Mesmo com dinheiro pra atender as necessidades, ter que contratar um empréstimo? Quando você olha para a iluminação pública, é a mesma coisa, está lá o cheque todo ano, de R$ 5 milhões. Inclusive, o Ministério Público tem uma investigação aberta sobre isso. Toda vez que a gente paga a nossa conta de energia elétrica, a gente recolhe uma taxa só para iluminação pública. A Prefeitura de Poá não pode usar em outra finalidade. E aí passa o primeiro ano, R$ 5 milhões na conta, passa o segundo ano, mais R$ 5 milhões, passa o terceiro ano, mais R$ 5 milhões. E você não tem o serviço de iluminação pública conforme a população precisa.

 

GR: Saulo, mesmo sem mandato você continua acompanhando a forma como a Prefeitura de Poá gasta o dinheiro do contribuinte?

Saulo: Esse é um direito de todo cidadão. No meu caso, como uma liderança política da cidade, como presidente de um partido, eu tenho uma obrigação ainda maior. E por isso que, com mandato ou sem mandato, permaneço fiscalizando os atos do Poder Executivo. Permanece atento ao que vem acontecendo na cidade e buscando, também, formas de trazer progresso e desenvolvimento para cidade.

 

GR: De que maneira você busca progresso para a cidade?

Saulo: Eu estive numa agenda com o deputado Roberto de Lucena, atualmente secretário do estadual de Turismo, fazendo um apelo pessoalmente a ele. ‘Secretário, Poá precisa da sua ajuda, Poá precisa que o seu coração e sua mente estejam abertos a favor do povo poaense. Nós precisamos da força do governo estadual pra gente recuperar o nosso título de cidade turística, pra gente recuperar os investimentos que a nossa cidade recebe. É claro que maus gestores não fizeram bem a lição de casa, maus gestores não prestaram contas dos recursos que o Estado enviou, maus gestores não deram as informações que o Estado solicitava. Era básico, deveria ser básico. E por isso que nós perdemos esses repasses. E aí, conversando com o secretário, disse a ele que nós precisamos de uma intervenção da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo no nosso município, a fim de nos ajudar a retomar a rota do progresso e trazer de volta esse título de Estância. Isso em nome e em respeito não aos maus políticos, aos maus gestores que a população já se encarregou de empurrar para fora da vida política, mas em homenagem à população de Poá, que é uma população honesta, uma população dedicada, uma população que ama a sua cidade.

O secretário sinalizou muito positivamente que vai colocar sua equipe técnica à disposição, a Secretaria de Estado de Turismo à disposição, para trazer esse título de volta, trazer essa taça de volta. Eu espero que, no ano de 2026, no aniversário da cidade, a gente possa trazer de volta para casa essa grande conquista. E nós vamos nos empenhar totalmente nisso, com mandato ou sem mandato.

 

GR: Mas a sua iniciativa demonstra que a atual gestão não fez sua parte em tentar retomar o título …

Saulo: Todo esforço nesse momento é muito importante. Nós precisamos da ajuda de todos, seja quem está no governo, quem está fora dele, seja de quem é um comerciante, uma liderança política local, deputados da região, toda a ajuda é importante. Agora, um governo que não está conseguindo, com esse cofre de dinheiro, de arrecadação de IPVA e de multa, não está conseguindo tapar um buraco, não vai estar preocupado com outras necessidades da cidade. É um governo que, infelizmente, dá evidências de que não existe preocupação com aquilo que é importante para a população, infelizmente.

 

GR: Saulo, você traz, de maneira muito forte, o antagonismo a esse modelo de gestão e aos imediatamente anteriores. Essas pessoas que estão no poder e as que recém passaram já tiveram a sua oportunidade. É hora de Poá renovar?

Saulo: Naturalmente, ao longo de toda a nossa história nós tivemos gestões que contribuíram para a cidade dar passos à frente. Mas, infelizmente outras gestões fizeram com que a cidade retrocedesse muitos passos atrás, que é mais ou menos a fase que nós estamos vivendo. Nós estamos vivendo de andar para trás. Troca de gestão, troca de prefeito, vem a eleição e a cidade continua andando para trás.

E não tem nenhuma relação com a questão da saída do Itaú. Nosso orçamento, hoje, já se assemelha ao orçamento que nós tínhamos quando o Itaú estava instalado na cidade. Está chegando o próximo ano novamente. Nossa cidade não tem dívidas. Então, essa desculpa do Itaú não cabe mais. Até porque acabei de demonstrar. O dinheiro está lá. Você não acha que com R$ 74 milhões arrecadados entre multas e IPVA, a cidade já não era para estar com todo o seu problema viário resolvido? A cidade já não era para estar com o problema na saída de Poá, de drenagem, de frente a APAE, que tem sido um caos na cidade, resolvido? A cidade gastou quase R$ 90 milhões de reais numa obra do piscinão, que quando chove a água não entra no piscinão. Piscinão totalmente assoreado, os córregos assoreados. Ou seja, faz um investimento desse e a cidade continua tendo enchente? Será que não está evidente para todo mundo que o piscinão sozinho não é a resposta para a solução das enchentes?

 

GR: E qual é a resposta para as enchentes, Saulo?

Saulo: Que nós vamos precisar pensar em novas ideias, em novos caminhos. A constatação inevitável é que nós estamos andando para trás. Mas, existem, claro, gestões que nos ajudaram a nos tornar quem somos hoje. Existem bons referenciais no passado, de pessoas que primeiro se prepararam para ser prefeito de Poá. Tinham formação, tinham vivência, tinham uma boa equipe. De pessoas que tinham responsabilidade com a missão que a população concedeu em suas mãos. Se dedicavam realmente com vigor para alcançar o resultado esperado. Pessoas que tinham empatia pelas outras pessoas, que gostavam de gente. É o que está faltando. A dor daquela criança poaense, daquele idoso poaense, daquela mulher poaense, daquela família poaense, daquele comerciante poaense, era a dor também do prefeito. Hoje nós não temos nada disso.

Se você não colocar o foco nas pessoas, se você não colocar como norte que as vidas estão acima de coisas, que as vidas valem mais do que coisas, você faz o que está sendo feito hoje na cidade. Você não se preocupa com a dor de ninguém, você só se preocupa com os seus próprios interesses.

A cidade, no mês de aniversário dela, não tem nada para comemorar, ou tem muito pouco a se comemorar. Graças a verdadeiros heróis e heroínas anônimos, das entidades sociais, das igrejas evangélicas, católicas, espíritas e outras. Trabalhadores, pessoas voluntárias, pessoas que, independente do governo estar fazendo ou não, fazem a sua parte para fazer a nossa cidade progredir e prosperar. É isso que nós temos que comemorar. A riqueza do nosso povo, a coragem da nossa gente, o amor pela cidade de muitos poaenses que realmente gostam dessa cidade, que amam essa cidade, que mesmo quando o governo não faz, ele procura fazer a sua parte.

 

GR: Saulo, você foi vereador, na última eleição disputou a prefeitura e ficou em segundo lugar. Nas eleições de 2020, foi o poaense mais votado na história da cidade, enquanto candidato a deputado estadual. A luta continua para 2024?

Saulo: O reconhecimento da população ao nosso trabalho revela que, mais do que nunca, nós estamos preparados para esse momento, para esses tempos tão desafiadores. Sem recurso nenhum, a gente saiu de um mandato combativo, um mandato fiscalizador, um mandato realmente que deixou um legado.

Com apenas esse único mandato, a população me projetou para a prefeitura. Sem um partido forte, sem um vereador me apoiando, sem uma liderança me apoiando, um vice-prefeito também que estreava na política. E aí, com um time pequeno, com uma tenda instalada no centro da cidade, com uma corneta na mão e muita sola de sapato, de porta em porta, a gente teve a honra de ser o segundo colocado. A gente continua trabalhando e, dois anos depois, a população faz da gente o campeão de votos na cidade. Nunca antes nenhum candidato a deputado estadual, nascido, criado em Poá, candidato da cidade, alcançou o resultado que a gente alcançou.

Então, isso mostra que nós estamos no caminho certo. A gente buscou estar preparado e se preparar constantemente, com a formação técnica necessária na área de educação, de engenheiro, ter uma pós-graduação em direito, em finanças, em gestão de pessoas, em liderança, mas mais do que isso, a formação em pessoas, no dia a dia, no contato de porta em porta, de cada bairro, de cada igreja, de cada comércio, nas redes sociais.

Eu, Saulo Souza, sou formado em gente. Quando você conhece pessoas, quando você conhece gente, você aperfeiçoa o que há de melhor em você e minimiza o que há de pior em você, porque você descobre que sempre vai encontrar alguém que precisa de um auxílio, de um braço estendido, que precisa de respostas. E aí, quando você se forma nessa escola chamada escola da vida, você incrementa atributos na sua vida que a faculdade não te dá. Faculdade é muito importante, mas essa vivência em pessoas é muito importante também e necessária.

À medida que você consegue transformar melhor o seu trabalho, a sua resposta, o seu resultado, e tem esse reconhecimento da população, nos dá mostra que, de fato, a gente chegou num momento onde vai acontecer, se Deus abençoar e o povo assim permitir, um encontro do melhor do nosso povo com aquilo de melhor que a cidade pode ter. O nosso papel é conseguir fazer esse encontro entre essas duas coisas, sendo capaz de estar à altura da confiança da população.

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