O abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo ganhou um importante reforço nesta segunda-feira (1º) com a entrega antecipada pela Sabesp do bombeamento de até 2.500 litros por segundo da bacia do rio Itapanhaú, na Serra do Mar, para o Sistema Alto Tietê. A nova integração amplia em 17% o volume de água do reservatório e beneficia diretamente 22 milhões de pessoas, em um ano marcado pelas piores médias de chuvas dos últimos dez anos.
A antecipação — prevista originalmente para junho de 2026 — foi possível com a instalação emergencial de 11 geradores de energia que irão operar as bombas até a conclusão da rede elétrica definitiva. O investimento total é de R$ 300 milhões.
A iniciativa ocorre em meio ao processo de desestatização da Sabesp, concluído em 2024, que prevê R$ 70 bilhões em investimentos no saneamento básico paulista até 2029.
“Essa é uma obra muito importante para a resiliência hídrica do estado, sobretudo em épocas como a que estamos vivendo, de chuvas abaixo da média histórica. São mais de 20 milhões de pessoas beneficiadas com uma intervenção que foi acelerada em virtude do processo de privatização, com contrato mais robusto e planejamento”, destacou Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado.
O Governo de São Paulo tem adotado medidas preventivas para preservar os níveis de mananciais em um cenário de baixa precipitação. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) registrou em novembro acumulado de 82,7 mm, abaixo dos 98,8 mm de 2021 e distante da média histórica de 142,6 mm. Entre as estratégias implementadas está a gestão noturna da demanda entre 19h e 5h, responsável por economizar 44 bilhões de litros desde agosto.
Como funciona a nova captação
A transposição capta água a cerca de 60 quilômetros da capital, no ribeirão Sertãozinho, um dos formadores do rio Itapanhaú, em área próxima ao Parque Estadual da Serra do Mar. Por se tratar de região de preservação, o projeto exigiu soluções de engenharia que reduzissem impactos ambientais.
O trajeto é composto por 9 quilômetros de adutoras apoiadas sobre o solo — evitando escavações — e um túnel de 500 metros escavado na montanha, próximo à rodovia Mogi-Bertioga. O sistema realiza bombeamento inicial de 98 metros de altura e, em seguida, conduz a água por gravidade até a represa Biritiba-Mirim, do Sistema Alto Tietê.
Para garantir equilíbrio ecológico, a Sabesp mantém no leito do Sertãozinho um fluxo mínimo de aproximadamente 1.000 litros por segundo.
“Operamos em regiões com baixa disponibilidade hídrica natural, altamente urbanizadas e densamente povoadas, como a Região Metropolitana de São Paulo. Esta é mais uma obra para garantir mais água para a população, buscando fontes que antes não eram utilizadas”, afirmou Roberval Tavares, diretor-executivo de Engenharia e Inovação da Sabesp.
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Melhorias na mobilidade: novo retorno na Mogi-Bertioga
Além do reforço hídrico, a obra deixou um legado para quem utiliza a rodovia Mogi-Bertioga (SP-098). A Sabesp construiu um retorno operacional no km 79, devolvendo aos motoristas uma opção segura de manobra que havia sido desativada durante as obras.
Antes, quem passava do km 69 precisava seguir até o município de Bertioga para retornar — um desvio de 38 quilômetros. Com o novo retorno liberado, o trajeto foi reduzido, trazendo mais fluidez e segurança ao tráfego da região.



