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Startups enfrentam queda de investimento global

Investimento em startups teve seu segundo pior desempenho desde 2018
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O mercado global de startups começou 2024 com um tom cauteloso, com investidores mantendo uma abordagem mais conservadora em relação a novos aportes. Embora alguns setores como inteligência artificial (IA), saúde, energia e robótica tenham conseguido captar investimentos significativos, o cenário geral foi de retração, conforme mostram os dados da Crunchbase.

Segundo o estudo, no primeiro trimestre de 2024, o investimento em startups ao redor do mundo teve seu segundo pior desempenho desde 2018. Apesar de uma leve recuperação em relação ao quarto trimestre de 2023, este último havia sido o pior trimestre em seis anos. 

Porém, um dado positivo foi observado no financiamento de startups em estágio inicial, que cresceu, totalizando cerca de US$ 29,5 bilhões, um aumento de 6% em relação ao ano anterior, impulsionado por grandes rodadas de Série B em setores como IA, veículos elétricos e energia verde. Investimentos em estágios iniciais, incluindo seed e anjo, mostraram resiliência, sugerindo um futuro promissor para as empresas emergentes.

Os Estados Unidos, maior mercado de investimentos em startups do mundo, também experimentaram uma redução no volume de aportes. O país, que concentra cerca de metade do capital de risco global, viu os investidores adotarem uma postura mais seletiva. Mesmo com a desaceleração, o mercado americano continua sendo um importante termômetro para o ecossistema global de startups.

Investidor-anjo e consultor da Pactto, uma startup de IA generativa baseada na Califórnia, o brasileiro Mateus Stefanutto observa a falta de liquidez no mercado global. “Depois da pandemia, o processo de captação de investimento ficou muito mais lento. Uma rodada que levada três meses para ser concluída, hoje pode ultrapassar seis meses”, comenta.

Fundada pelo brasileiro Demian Borba, a Pactto propõe uma mudança na maneira que as empresas fornecem feedback detalhado sobre trabalhos criativos, integrando vídeos e imagens ao processo. Com uma avaliação de US$ 6 milhões, a startup levantou US$ 500 mil em financiamento pré-seed com investidores-anjos da Adobe, Meta, Target, Netflix e Pixar. “Processos financeiros como um bom orçamento e um bom fluxo de caixa são pré-requisitos importantes para manter o fundraising por mais tempo”, afirma Stefanutto.

No Brasil, o cenário também é de retração, com uma queda significativa nos investimentos em startups pelo segundo ano consecutivo. Em 2023, as startups brasileiras captaram US$ 1,9 bilhão, uma redução de 56,8% em relação a 2022, quando foram levantados US$ 4,4 bilhões. A quantidade de negociações também caiu, de 931 em 2022 para 455 em 2023. Essa tendência de queda começou após o pico de US$ 9,9 bilhões em 2021.

Segundo Eduardo Fuentes, diretor de pesquisa da plataforma Distrito, o Brasil enfrenta uma menor disposição dos investidores em assumir riscos. “Tivemos um ciclo de crescimento muito forte impulsionado pelo cenário macroeconômico bom, com taxas de juros baixas e com um momento que impulsionava a transformação digital das empresas. Desde então, entramos em ciclo de correções” afirma Fuentes. 

De 2000 para 2023, o número de startups na América Latina aumentou de 558 para 33.489, representando um crescimento de 60 vezes, segundo o relatório “Panorama Tech na América Latina 2023″.

Ao longo do período entre 2013 e 2023, o Brasil se sobressaiu como o país com o maior número de startups na região. Com mais de 13 mil startups ativas, o que representa 62,9% do total, o Brasil lidera como um centro de startups no continente, seguido pelo México (11,7%), Argentina (7,1%), Colômbia (6,2%) e Chile (5,1%).

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dino
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